Estratégia em tempo real / construção de cidades
Anocris: Civilização Egípcia
Nota editorial: 8/10 — Cadeias de produção com várias etapas dão sentido a cada edifício novo.
Por que gostamos
Anocris começa como qualquer construtor de cidades — uma aldeia pequena à beira do Nilo — mas separa-se do género assim que as primeiras cadeias de produção entram em funcionamento: madeira vira ferramentas, ferramentas aceleram a pedreira, a pedreira alimenta o templo. Cada edifício novo altera visivelmente o mapa, e a equipa de arte investiu claramente nesse detalhe: os templos têm relevos distintos consoante o deus a que são dedicados, e as unidades da era de Ramsés II têm silhuetas reconhecíveis mesmo à distância.
O que irrita
O maior senão é estrutural: o jogo não funciona sem ligação permanente à internet, porque a construção da cidade corre em servidor e o tempo passa mesmo com a aplicação fechada. Para quem quer jogar num comboio sem rede, ou preservar dados móveis, isso é uma limitação real, não um pormenor. As primeiras duas ou três horas também pecam por ritmo lento — há muito ecrã de espera até desbloquear as unidades que tornam o combate interessante.
Modos de jogo
Fora da construção pura, o jogo oferece três frentes: comércio com outros jogadores, diplomacia dentro de uma tribo, e guerra direta contra outras cidades. É possível evitar o combate durante muito tempo atacando apenas acampamentos nómadas neutros, o que torna o jogo jogável tanto por quem gosta de conflito como por quem prefere construir em paz.
O que o distingue dos vizinhos de género
Muitos construtores de cidades com tema egípcio reduzem a Antiguidade a um verniz visual sobre mecânicas genéricas. Aqui os feitiços invocam deuses específicos (Rá, Anúbis) com efeitos próprios, e os festivais têm nomes e consequências distintas — não é apenas um "power-up" com nome egípcio colado por cima.
O que ler a seguir
Quem gosta da componente de construção lenta e cuidada de Anocris mas prefere jogar sem depender de rede vai encontrar em Egypt: Old Kingdom, também nesta seleção, uma alternativa mais próxima de um simulador de civilização clássico.
Prós
- Cadeias de produção com várias etapas dão sentido a cada edifício novo
- Componente multijogador com tribos e diplomacia, não só combate
- Direção de arte cuidada nos edifícios e nas unidades
Contras
- Exige ligação constante à internet — sem modo offline
- O ritmo inicial é lento até desbloquear as primeiras unidades especiais
- Interface carregada de ícones nas primeiras horas



